Como faço carrosséis dentários com Claude e GPT que as pessoas guardam mesmo

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Um carrossel custava-me dois dias. Um no Illustrator, outro no Canva.
Não era pensar. Pensar era a parte rápida. Eu sabia o que queria dizer sobre enxertos de tecido conjuntivo (ETC), ou sobre porque é que a tábua óssea vestibular colapsa depois de uma extração. Os dias iam-se no Illustrator e no Canva: desenhar à mão o implante, o dente e o corte transversal, levá-los para o Canva, encaixar o texto, realinhar oito slides porque mudei uma palavra no slide dois, exportar, dar com uma gralha, exportar outra vez.
E durante esse tempo todo eu estava no Illustrator a acertar a última linha, para que o implante BLX ficasse perfeito ou para que a superfície TiUltra do NobelActive se visse bem. A minha mulher passava a vida a ameaçar divorciar-se de mim por causa das horas que eu passava no portátil. Os dias do Illustrator acabaram. Ela continua a ameaçar-me com o divórcio todos os dias, e todos os dias eu digo-lhe que também a amo.
Publicava-o, o próximo tinha de sair dali a uma semana, e eu não tinha mais dois dias. Por isso o plano de conteúdos morria, todas as vezes.
Se fizeres o curso Dental Content Machine, vais ouvir-me dizer uma frase em todos os módulos: Não tenho tempo. Essa frase é a restrição que molda tudo o que vem a seguir.
Esta é a história de como um carrossel passou de dois dias a algo que faço no intervalo entre duas reuniões, de como um deles chegou aos 3 399 gostos numa conta pessoal com muito menos seguidores do que a @periospot, e de como essa rotina se tornou uma ferramenta no Periospot.
O que o Canva e o Illustrator nunca resolveram
As ferramentas não tinham problema nenhum. Quero ser justo com elas. O problema era a linha de montagem que eu tinha de ser, e nunca foi o banco de imagens. Os bancos de imagens têm milhares de pacientes a sorrir, e um paciente a sorrir nunca foi aquilo de que eu precisava.
Aquilo de que eu precisava era um implante, um dente, um corte transversal, um esquema da mucosa. Nada disso existe já feito, por isso desenhei cada um à mão no Illustrator. Depois levava os desenhos para o Canva, montava o layout, punha o texto e ia slide a slide: isto é o azul da marca ou o outro azul, a fonte é a mesma do slide dois, o tamanho está certo, a exportação serve para um carrossel do Instagram ou para uma story.
E tudo isto a aguentar o xixi, porque não queria perder tempo a fazer xixi.
- Illustrator: um dia inteiro. A desenhar a anatomia para um único carrossel, implante a implante.
- Canva: mais um dia. A pôr os desenhos nos slides, a acrescentar o texto, a rever um a um, a exportar, a dar pelo que tinha saído do sítio, a exportar outra vez.
Dois dias para uma publicação. Um clínico que faz isto uma vez por mês consegue absorver o custo. Um clínico que quer publicar todas as semanas não consegue.
Nano Banana: o primeiro modelo capaz de desenhar um enxerto
Em janeiro de 2026 comecei a usar o Nano Banana Pro, o modelo Gemini 3 Pro Image da Google, para a imagem grande no topo dos artigos do Periospot e, pouco depois, para slides.
Ainda tenho o vídeo que fiz ao meu portátil com o telemóvel na noite em que aconteceu. Um infográfico sobre o contorno biológico estético, zonas E, B e C: coroa, pilar, implante, osso, cada um no seu lugar. Não era perfeito, e o verificador assinalou legendas em falta. O primeiro infográfico dentário feito por um modelo a que eu chamaria decente.
E foi aí que me surgiu um projeto novo, o Periospot Studio. Ao início estava entusiasmadíssimo, mas falhou, tal como o meu casamento.
Pela primeira vez, um modelo de imagem deu-me um enxerto de tecido conjuntivo que parecia tecido e não uma fatia de fiambre. Talvez uma tentativa em cada três. Mas uma imagem utilizável em cada três tentativas, a trinta segundos cada, ganha a um dia no Illustrator.
Ficou-me uma regra dessas semanas, e o infográfico acima ainda não a cumpre: nunca deixes o modelo escrever o texto. O texto dentro de uma imagem gerada é onde estas imagens se desfazem. As legendas saem com erros, aparecem palavras inventadas, as letras derretem-se no tecido. A imagem é a imagem. As palavras entram depois, acrescentadas por código, numa fonte que eu escolhi, num tamanho que consigo ler no telemóvel.
GPT Image 2: a anatomia finalmente aguentou-se
Em maio de 2026 passei a geração de imagens para o GPT Image 2 da OpenAI e não voltei ao Nano Banana para trabalho dentário. Experimentei a geração anterior, o GPT Image 1, nas mesmas tarefas e rejeitei todos os resultados, por isso não vou fingir que os dois andam perto um do outro.
A diferença, no trabalho dentário, é que a anatomia se aguenta. Um corte transversal continua a ser um corte transversal. Um implante mantém uma plataforma plana ao nível da crista e um ápice cónico no osso, o que não é garantido com modelos de imagem. E a iluminação pode ser dirigida: peço um fundo escuro, uma luz principal quente vinda da esquerda e uma luz de contorno azul e fria vinda da direita, e é isso que recebo, vez após vez, por isso oito slides parecem pertencer ao mesmo carrossel.
Dois hábitos desse período:
- Gerar três, ficar com uma. Nunca uso a primeira imagem que sai. Cada implante é verificado quanto à orientação, cada enxerto quanto a uma vascularização plausível, antes de levar um título.
- Descrever a biologia, não a imagem. "Lâmina própria densa sobre submucosa laxa, hidratada, num tabuleiro de aço sob luz de estúdio" dá um enxerto melhor do que "foto bonita de ETC". É o mesmo que digo aos alunos de pós-graduação sobre apresentações de casos: diz que tecido é, não que é bonito.
Um agente de programação em vez de um rato
Um modelo de imagem melhor deu-me imagens utilizáveis, mas não me devolveu os dias. Esses vieram de pôr um agente de programação ao lado dele.
Uso o Claude Code e o Codex no meu portátil. São programas que leem ficheiros, escrevem scripts, chamam o modelo de imagem e colocam texto nas imagens com código em vez de com o rato. Um carrossel passou a ser uma conversa:
"Oito slides sobre a biologia da zona dadora nos enxertos de tecido conjuntivo. Fundo branco, um enxerto por slide, a minha marca @tuminha_dds no canto inferior esquerdo. Primeiro a capa. Mostra-me a capa num telemóvel antes de gerares o resto."
O agente faz o rascunho do plano de slides. Eu corrijo as afirmações clínicas. Ele gera as imagens, trata da tipografia, produz oito imagens quadradas (ficheiros PNG, 1080 por 1080) e uma folha de pré-visualização do tamanho de um telemóvel, para eu ver se o slide cinco se lê ao tamanho de um polegar. Quando um enxerto parece errado, digo "slide cinco, o tecido parece plástico, refaz com vascularização visível", e só o slide cinco muda. Nada sai do sítio.
Quero ser honesto numa coisa. Esse parágrafo descreve o presente. Chegar aqui levou centenas de iterações até o resultado ser o que eu queria. A diferença em relação aos anos do Canva é que cada iteração me custava uma frase, não um dia.
Escrevi sobre esta mesma configuração aplicada ao vídeo em Como criei um vídeo de educação dentária com Claude Code, Codex, Remotion e HyperFrames. Os carrosséis são o caso mais simples, e foi por isso que foram a primeira coisa que pegou a sério.
O carrossel do ETC: 3 399 gostos
A 25 de maio de 2026 publiquei em @tuminha_dds um carrossel de oito slides sobre a biologia da zona dadora nos enxertos de tecido conjuntivo. O argumento do carrossel, slide a slide: nem todos os ETC são iguais; o palato não é uma só zona dadora; palato lateral versus tuberosidade; mais denso nem sempre quer dizer melhor; quem decide é o leito recetor.
Enquanto escrevo isto, tem 3 399 gostos, 2 879 guardados, 1 102 partilhas e 43 comentários, e chegou a 53 432 contas. Para uma conta pessoal (@tuminha_dds), e feito com o agente, é mais do que qualquer carrossel que alguma vez fiz à mão.
Para dar escala, o que recebe um carrossel normal meu, daqueles que bem podiam ser sobre como cozinho frango masala, comparado com este:
Contagens lidas da API do Instagram a 11 de setembro de 2026. Nos browsers que suportam animação ligada ao scroll, as barras crescem à medida que desces a página; os números são os números de qualquer maneira.
Houve uma coisa que o fez funcionar e que não tem nada a ver com IA. O slide seis diz "denser does not mean always better" (mais denso nem sempre quer dizer melhor). Os colegas partilham muito mais o conteúdo que respeita o seu critério do que o conteúdo que vende uma técnica. O resto é ofício: biologia que parece biologia, sem texto metido dentro da imagem, e uma capa que verifiquei num telemóvel antes de tocar nos slides dois a oito.
Se o lado clínico desse carrossel te interessa mais do que o fluxo de trabalho, a versão longa está em O enxerto de tecido conjuntivo: técnicas de colheita, indicações e ETC vs EGL.
Transformar a rotina numa skill
Ao terceiro carrossel reparei que estava a escrever as mesmas instruções todas as vezes. Instruções curtas, daquelas que se escrevem e se esquecem: "garante que cada artigo citado existe e diz aquilo que o slide diz que ele diz." À terceira vez que escrevi essa frase, percebi que o agente não devia precisar que lho dissessem.
O Claude Code e o Codex deixam-te guardar um conjunto de instruções como uma "skill": um protocolo que o agente segue sempre, para que a tarefa se repita sem se afastar daquilo que querias. A minha é uma pasta com um ficheiro de instruções no topo, o SKILL.md, mais os scripts e as notas que ele chama. O ficheiro de instruções guarda a versão destilada dessas centenas de iterações: as regras da marca, as verificações, a ordem pela qual as coisas acontecem, os erros que nunca mais pode cometer. Vive no meu portátil. (Esse ficheiro é a única coisa aqui que não partilho. Para isso terias de me matar primeiro.)
Com a skill montada, um carrossel resume-se a: escrever o tema, rever o plano, aprovar a capa, rever o carrossel. Dez a vinte minutos da minha atenção, a maior parte nas afirmações clínicas. Como construir uma skill assim para a tua própria voz e a tua própria marca é um dos módulos do curso The Dental Content Machine.
Carousel Studio: o mesmo pipeline no Periospot
Depois começaram as mensagens. A minha caixa de entrada do Instagram encheu-se de colegas a perguntar como é que eu faço estes carrosséis. Não conseguia responder um a um. A resposta honesta é uma aula, não uma mensagem, e tornou-se um módulo do curso The Dental Content Machine. Mas os carrosséis em si, esses eu queria abri-los a toda a gente, sem pedir a um dentista que instalasse um agente de programação e guardasse chaves de API.
A forma que encontrei foi construir o mesmo pipeline dentro do Periospot. Em julho de 2026 nasceu o Carousel Studio. Abriu a todas as contas Periospot com sessão iniciada a 22 de julho de 2026, ainda tem o selo beta e está em periospot.com/labs/carousel-studio.
Numa linha cada: faz uma verificação de rigor às afirmações e aos cards finais; refaz qualquer imagem uma vez, de graça, se não gostares dela; exporta para PowerPoint quando quiseres personalizar mais; e põe o teu logótipo em todos os cards. Há duas coisas diferentes da minha skill pessoal, e são essas que interessam:
- Vai buscar a literatura sozinho. Cada brief pesquisa no PubMed e no OpenAlex, precisa de pelo menos três fontes ou recusa-se a gerar (e não cobra nada), e cada afirmação numérica ou baseada numa recomendação clínica num card, que é o nome que o estúdio dá a um slide depois de gerado, tem de citar uma delas. O mapa de afirmações, com um link para cada fonte, vem com o carrossel.
- Aplica a tua marca, não a minha. O teu @ do Instagram, o teu logótipo, a cor do teu texto. O @ nos cards é o teu, não o do Periospot.
Passo a passo no Carousel Studio
- Inicia sessão e abre o Labs, depois o Carousel Studio. Uma conta gratuita do Periospot chega para entrar.
- Escreve o tema. Entre 8 e 300 caracteres. "Why the socket shield technique preserves the buccal plate" (porque é que a técnica de socket shield preserva a tábua óssea vestibular) é o exemplo que o formulário te dá. Se quiseres, acrescenta o teu ângulo e as tuas próprias ideias de slides, uma por linha. Escolhe 6, 8, 10 ou 15 slides, a língua do carrossel (inglês, espanhol ou português) e o call to action final (Follow, Save ou Link in bio). Acrescenta o teu @, carrega o teu logótipo, define a cor do texto. Escolhe um tom de imagem (Dramatic, Realistic, Vivid, Clinical ou Histological) e um dos sete pacotes de estilo. Clica em Generate brief (gerar o brief).
- Espera pelo brief. O ecrã diz que normalmente demora menos de um minuto. O pipeline vai buscar as fontes e escreve o arco: Hook, Reframe, Mechanism, Clinical rule, Honest truth, Call to action (gancho, reenquadramento, mecanismo, regra clínica, verdade honesta, apelo à ação). Cada slide recebe um antetítulo (a pequena etiqueta por cima do título), um título, até quatro linhas de apoio e, quando há um número ou uma recomendação clínica em jogo, uma linha de citação como "Meijer et al., Journal of Periodontology, 2025". Um número para o qual não encontra fonte é suavizado e assinalado com "Claim softened, check before posting" (afirmação suavizada, verifica antes de publicar).
- Edita tudo aquilo com que não concordas. O antetítulo, o título e as linhas de apoio de cada slide são editáveis; a linha de citação fica como o pipeline a escreveu. Save edits (guardar alterações) volta a correr a verificação das afirmações, e não consegues meter às escondidas um número novo sem fonte. Já que aí estás, copia a legenda e as hashtags.
- Render (gerar os cards finais). Gerar custa 8 créditos por slide; o botão mostra o intervalo de 48 a 120, e um selo no topo do brief diz se este carrossel está incluído no teu plano ou é pago em créditos. O ecrã diz que a geração demora cerca de três minutos. As imagens vêm do GPT Image 2.5 da OpenAI (o estúdio passou do GPT Image 2 para o modelo 2.5 Sunburst, mais rápido, a 9 de setembro) e são compostas em cards de 1080 por 1350.
- Lê as notas de cada card. São sugestões: quem decide és tu, e os downloads ficam disponíveis de qualquer forma. Refaz qualquer card de que não gostes. Edit copy (editar texto) deixa-te reescrever um card final de graça, desde que o significado clínico, os números e a citação se mantenham.
- Descarrega. Envia todos os cards, por ordem, para o menu de partilha do telemóvel e escolhe o Instagram, descarrega um ZIP com os PNG e a legenda, descarrega um PowerPoint editável com o texto em caixas de texto verdadeiras por cima da ilustração, ou recebe por email os links dos cards e a legenda (os links são válidos durante 72 horas).
Quanto custa o Carousel Studio
- Um brief custa 15 créditos e cada slide custa 8. Um carrossel de oito slides fica em 79 créditos; um de seis slides fica em 63.
- Refazer um card pela primeira vez é grátis, refazer um card que a verificação assinalou é sempre grátis, e as vezes seguintes custam 8 créditos. As edições de texto são grátis.
- Pacotes de créditos: 400 créditos por 25 EUR (cerca de 5 carrosséis) ou 950 créditos por 50 EUR (cerca de 12). Os créditos são partilhados com o Video Studio, e o teu primeiro pacote dá 500 créditos de bónus.
- Os membros do Periospot Labs têm carrosséis incluídos todos os meses: 5, 10 ou 20 nos planos mensais Starter, Pro e Ultimate, e o dobro, 10, 20 ou 40, nos planos anuais.
- Um brief que falha, porque existem menos de três fontes ou porque o tema está fora da educação dentária, não é cobrado.
O que o Carousel Studio não faz
- Não desenha bocas. Nada de fotografias clínicas de dentes ou gengivas, nada de sangue, nada de instrumentos no tecido. Os cards são ilustrações. Se a tua publicação precisa de uma foto de um caso teu, pega no PowerPoint e troca a imagem.
- Não publica por ti. Tu descarregas, tu revês, tu publicas. O estúdio di-lo por palavras suas: revê cada slide e cada citação antes de publicar.
- Escreve em três línguas, com ecrãs em inglês. Os cards e a legenda podem estar em inglês, espanhol ou português. Os ecrãs estão em inglês, e a pesquisa bibliográfica corre com termos clínicos em inglês, seja qual for a língua em que escreves o tema.
- Não substitui o teu critério. O mapa de afirmações diz-te de onde veio cada número. Lê-lo é trabalho teu, tal como é trabalho teu ler o artigo que está por trás de um slide numa palestra de congresso.
- E também não vai pôr a tua mulher ou a tua namorada feliz.
Se um carrossel é tudo aquilo de que precisas esta semana, vai diretamente ao Carousel Studio.
Onde entram os carrosséis no Dental Content Machine
Os carrosséis são uma das frentes. As apresentações, os reels, a newsletter e o ritmo semanal que transforma um tema em várias publicações são o resto do sistema, e esse sistema é o que ensino em The Dental Content Machine.
A Turma 1 fechou a 8 de setembro, enquanto gravo os restantes módulos com o primeiro grupo já dentro do curso. A Turma 2 abre no final de setembro com todos os módulos gravados, e quem está na lista de espera entra 48 horas antes de toda a gente. Se queres entrar, deixa o teu email na lista de espera e vais ter notícias minhas primeiro.
Não tenho tempo. Nem tu. É por isso que o carrossel agora demora minutos.
Vais passar mais tempo a deslizar para a esquerda e para a direita no Tinder do que a criar um carrossel no Carousel Studio.
Testa os Teus Conhecimentos
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