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Bundle Bone: O guia completo para a gestão do gap e dos implantes imediatos [Atualização 2025]

Francisco Teixeira Barbosa
Francisco Teixeira BarbosaFounder & Editor
Jan 20, 202623 min read
Bundle Bone: O guia completo para a gestão do gap e dos implantes imediatos [Atualização 2025]

Foi em 2004 que Chen e colaboradores publicaram o seu estudo histórico sobre a colocação imediata de implantes. Um ano depois, Araújo e Lindhe abalaram o mundo dos implantes com resultados que desafiaram tudo o que pensávamos saber sobre a cicatrização do alvéolo. Duas décadas depois, o debate continua — mas agora temos respostas.

O bundle bone. Duas palavras que separam os implantologistas que alcançam resultados estéticos previsíveis daqueles que não. Compreender esta fina camada de osso dependente do dente não é opcional — é fundamental para cada decisão que tomas na zona anterior.

Nesta guia completa, vou conduzir-te por 12 factos críticos sobre o bundle bone, a gestão do gap e os protocolos de implantes imediatos. Não são conceitos teóricos — são os princípios que apliquei em milhares de casos ao longo de 30 anos de prática clínica.

Quer estejas a planear o teu primeiro implante imediato ou a refinar protocolos que utilizas há anos, esta guia dar-te-á a base biológica e os enquadramentos clínicos para tomares melhores decisões.

O que é o bundle bone? A base que precisas de compreender

Antes de entrarmos nos 12 factos, vamos esclarecer do que estamos a falar.

O bundle bone (também chamado osso alveolar próprio ou placa cribiforme) é a fina camada de osso que reveste o alvéolo dentário. Caracteriza-se pela inserção das fibras de Sharpey provenientes do ligamento periodontal — tornando-o um tecido dependente do dente.

Diagrama em português da anatomia dentária em corte transversal mostrando osso fasciculado e LPD.
Anatomia do bundle bone mostrando um corte transversal da raiz dentária com fibras de Sharpey, ligamento periodontal e osso alveolar próprio identificados
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Aqui está o ponto crítico: o bundle bone não pode existir sem um dente.

No momento em que extrais um dente, não retiras apenas esmalte, dentina e polpa. Retiras todo o aparelho periodontal — e, com ele, o aporte sanguíneo que mantém o bundle bone. O que se segue é uma reabsorção inevitável.

Isto não é um defeito. É biologia. E, até interiorizares este conceito, continuarás a surpreender-te com as alterações do rebordo após a extração.

Bundle Bone, Lâmina Dura e Osso Alveolar Próprio: a mesma estrutura, perspetivas diferentes

Há algo que confunde mesmo clínicos experientes: bundle bone, lâmina dura e osso alveolar próprio são na verdade a mesma estrutura anatómica — apenas recebem nomes diferentes consoante quem a observa e como.

Diagram in Portuguese showing the same dental structure with different names used by histologists, radiologists, and anatomis
Infografia da terminologia do bundle bone mostrando três perspetivas da mesma estrutura
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Porque três nomes para uma mesma estrutura?

Quem usa o termo Como o chamam Como o veem Característica-chave
Histologistas Bundle Bone Ao microscópio Inserções das fibras de Sharpey criando "feixes"
Radiologistas Lâmina dura Em radiografias/CBCT Linha branca densa que rodeia as raízes dentárias
Anatomistas Osso alveolar próprio Em dissecação/textos Fina camada óssea que reveste o alvéolo dentário

Compreender as quatro camadas do osso alveolar

Para compreender verdadeiramente o bundle bone, precisas de visualizar onde se encaixa no conjunto. O processo alveolar consiste em quatro camadas distintas:

Corte transversal anatômico das camadas ósseas alveolares. Raiz dentária à placa cortical, região anterior da maxila.
Corte transversal que mostra as 4 camadas do osso alveolar
[Imagem gerada com Periospot Studio]
Camada Espessura Características Relevância clínica
Bundle Bone 0,2-0,5 mm Fibras de Sharpey, dependente do dente Reabsorve-se após a extração
Osso lamelar Variável Camadas concêntricas organizadas Fornece suporte estrutural
Osso trabecular Variável Esponjoso, contém espaços medulares Alberga o aporte sanguíneo
Placa cortical <1 mm na face bucal Casca externa densa Proteção

Realidade clínica: dados da espessura óssea bucal

O osso bucal no maxilar anterior é notavelmente fino — muitas vezes muito mais fino do que os clínicos esperam. Isto tem implicações profundas para a colocação imediata de implantes:

Please exactly the same image but just translated to Portuguese
Dados clínicos que mostram medições da espessura óssea bucal
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Principais achados de estudos clínicos:

  • 91% dos sítios anteriores do maxilar têm osso bucal <1 mm
  • O bundle bone compõe 40-60% das placas bucais finas
  • Incisivos centrais e laterais têm o osso bucal mais fino

A linha temporal da reabsorção: o que acontece após a extração

Quando entendes que o bundle bone depende do dente, a cronologia pós-extração torna-se previsível:

Infográfico em português mostrando a reabsorção óssea após extração dentária ao longo de 12 meses.
Linha temporal que mostra as fases de reabsorção do bundle bone após a extração
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Conclusão clínica: Quer o chames bundle bone, lâmina dura ou osso alveolar próprio, a biologia é a mesma — esta fina camada de osso dependente do dente vai reabsorver-se quando o dente é removido. As tuas decisões de protocolo devem basear-se neste entendimento fundamental.

Composição histológica do bundle bone

O bundle bone é composto por:

  • Osso lamelar com inserções características das fibras de Sharpey
  • Rede vascular rica fornecida pelo ligamento periodontal
  • Espessura de aproximadamente 0,2-0,4 mm na face bucal

A placa bucal no maxilar anterior é frequentemente extremamente fina — por vezes menos de 1 mm de espessura total, com o bundle bone a representar uma parte significativa.

Os 12 factos: insights clínicos que mudam a prática

Facto 1: A extração causa uma redução de 50% da largura bucal

A ciência: Após a extração dentária, o rebordo alveolar sofre mudanças dimensionais dramáticas. Múltiplas revisões sistemáticas confirmam que ocorre aproximadamente uma redução horizontal de 50% nos primeiros 12 meses, com a maior parte nos primeiros 3 meses.

Alterações ósseas pós-extração dentária: Antes e depois de 12 meses. Mostra reabsorção óssea e redução horizontal.
Comparação antes e depois mostrando uma redução de 50% da largura bucal após a extração dentária
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Porque importa clinicamente: Aquele belo contorno bucal cheio que vês no momento da extração? Assume que metade vai desaparecer. Isto não é pessimismo — é realidade para planear.

O osso bucal reabsorve-se mais do que o osso palatino/lingual porque:

  1. A placa bucal é mais fina
  2. Contém proporcionalmente mais bundle bone
  3. Tem menos suporte de osso trabecular

Conclusão clínica: Ao avaliar sítios de extração para colocação imediata, mede a espessura do osso bucal. Se for inferior a 1 mm (como frequentemente é no maxilar anterior), espera reabsorção significativa independentemente do teu protocolo.

Facto 2: A perda do ligamento periodontal significa que já não há aporte sanguíneo

A ciência: O ligamento periodontal (LP) não é apenas um aparelho de inserção — é uma autoestrada vascular. O LP fornece aproximadamente 70% do aporte sanguíneo ao bundle bone.

Diagrama em português de um dente mostrando a raiz dentária, fibras de Sharpey e vasos sanguíneos do ligamento periodontal.
Diagrama que mostra o aporte sanguíneo do ligamento periodontal ao bundle bone com a rede vascular
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Quando extrais um dente, interrompes este aporte sanguíneo de imediato. O bundle bone, agora privado da sua principal fonte vascular, começa a reabsorver-se.

A cascata de reabsorção:

  • Dia 0: LP seccionado, aporte sanguíneo interrompido
  • Semana 1-2: inicia-se a atividade osteoclástica
  • Semana 4-8: período de pico de reabsorção
  • Mês 3-6: a remodelação continua mas desacelera
  • Mês 12: conclui-se a maior parte da alteração dimensional

Porque isto importa: Nenhuma técnica, biomaterial ou desenho de implante pode compensar totalmente esta realidade biológica. O melhor que podemos fazer é gerir a reabsorção — não a prevenir por completo.

Conclusão clínica: O tempo não é teu amigo após a extração. A cada semana que esperas, perdes volume de tecido duro e mole. É por isso que o debate do timing (imediato vs. diferido) importa tanto.

Facto 3: Implantes imediatos têm relação direta com a perda de osso bucal

A ciência: É aqui que fica controverso. Os primeiros defensores dos implantes imediatos acreditavam que colocar um implante num alvéolo fresco iria "manter" o osso bucal.

Estavam errados.

Chen et al. (2004) e Araújo et al. (2005, 2006) demonstraram que a colocação imediata de implantes NÃO impede a reabsorção do bundle bone. O osso bucal reabsorve-se independentemente da presença do implante.

Na verdade, alguns estudos sugerem que o padrão de reabsorção pode ser semelhante quer coloques um implante, quer não — o bundle bone simplesmente não pode sobreviver sem o dente.

A nuance: Isto não significa que os implantes imediatos sejam maus. Significa que precisamos de ajustar as expectativas e planear a reabsorção que VAI ocorrer.

Conclusão clínica: Não prometas aos pacientes que os implantes imediatos "preservam" o seu osso. Explica, em vez disso, que a colocação imediata oferece vantagens no tempo de tratamento e na preservação de tecidos moles — reconhecendo que alguma alteração do contorno bucal é inevitável.

Facto 4: Os implantes NÃO preservam o osso alveolar

A ciência: Este facto reforça e amplia o Facto 3. Vou ser direto: os implantes não são dispositivos de preservação óssea.

Um implante é uma âncora protética. Integra-se com o osso (osteointegração), mas não reproduz as funções biológicas de uma raiz dentária. Especificamente:

  • Sem ligamento periodontal
  • Sem fibras de Sharpey
  • Sem proprioceção
  • Sem estimulação óssea dinâmica através do LP

O osso ao redor de um implante remodela-se segundo regras biológicas diferentes do osso ao redor de dentes.

Porque isto importa: A mensagem de marketing de que "os implantes preservam o osso" é enganosa. Os implantes impedem a reabsorção contínua que verias num rebordo edêntulo, mas não preservam o volume ósseo original presente na extração.

Conclusão clínica: Separa "manter o que resta" de "preservar o que havia". Os implantes fazem o primeiro, não o segundo. Planeia os teus casos em conformidade.

Facto 5: A preservação do rebordo é quase sempre uma melhor opção

A ciência: Se os implantes imediatos não evitam perda óssea, o que evita? Os procedimentos de preservação do rebordo podem reduzir significativamente as alterações dimensionais após a extração.

A enxertia do alvéolo com vários biomateriais (xenoinjertos, aloinjertos, sintéticos) combinada com membranas demonstrou:

  • Reduzir a reabsorção horizontal em 1-2 mm em comparação com a cicatrização sem intervenção
  • Manter melhores contornos de tecidos moles
  • Proporcionar um rebordo mais favorável para colocação diferida de implantes

O "quase sempre": A preservação do rebordo faz sentido quando:

  • Não estás a colocar um implante imediato
  • O paciente precisa de tempo para decidir
  • Fatores sistémicos contraindicam cirurgia imediata
  • A anatomia do alvéolo é desfavorável

Quando evitar a preservação do rebordo:

  • Implante imediato com enxerto simultâneo planeado
  • Técnica de socket shield selecionada
  • Limitações financeiras (embora seja uma pena)

Conclusão clínica: Por defeito, indica preservação do rebordo após extrações, salvo se tiveres um motivo específico para não o fazer. O custo é moderado; o benefício para a futura colocação de implantes é substancial.

Facto 6: Enxertos de tecido conjuntivo em implantes imediatos melhoram os resultados

A ciência: Se as alterações ósseas são inevitáveis, e os tecidos moles? Aqui é onde PODEMOS fazer uma diferença significativa.

Os enxertos de tecido conjuntivo (ETC) colocados simultaneamente com implantes imediatos proporcionam:

  1. Maior volume de tecido mole — Compensa a perda do contorno bucal pela reabsorção óssea
  2. Maior queratinização — Cria tecido peri-implantar mais robusto
  3. Maior espessura tecidual — Melhor camuflagem do implante/pilar subjacente

Múltiplos estudos mostram que ETC combinados com implantes imediatos produzem resultados estéticos superiores aos implantes imediatos isolados.

A técnica importa: O ETC deve ser posicionado para:

  • Cobrir o gap bucal
  • Estender-se além do ombro do implante
  • Integrar-se com o tecido queratinizado existente

Conclusão clínica: Na zona estética, considera o ETC como protocolo padrão para implantes imediatos, não como um extra opcional. O tecido mole é muitas vezes a diferença entre um resultado aceitável e um excelente.

Facto 7: A técnica do socket shield preserva o que importa

A ciência: Se o bundle bone depende do dente, e se mantivermos parte do dente? Esta é a lógica elegante da técnica do socket shield.

Ao manter o fragmento radicular bucal (com o seu ligamento periodontal aderido), preservamos:

  • Aporte sanguíneo ao bundle bone
  • Inserções das fibras de Sharpey
  • O aparelho biológico que mantém o bundle bone vivo
Ilustração em português de implante dentário com escudo radicular vestibular preservado e LPD preservado.
Diagrama da técnica do socket shield mostrando o fragmento radicular bucal retido com colocação de implante
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Descrita pela primeira vez por Hürzeler et al. (2010), a técnica do socket shield evoluiu de experimental para mainstream, com evidência crescente que apoia a sua eficácia.

O que mostra a evidência:

  • Preservação do osso bucal significativamente melhor
  • Menor recessão de tecidos moles
  • Altura papilar mantida
  • Altas taxas de sobrevivência de implantes (comparáveis a protocolos convencionais)

A controvérsia: O socket shield não é universalmente aceite. Os críticos apontam para:

  • Sensibilidade técnica
  • Risco de mobilidade do fragmento ou infeção
  • Dados limitados a longo prazo (embora isto esteja a melhorar)

Conclusão clínica: O socket shield representa uma mudança de paradigma na forma como pensamos a extração e a colocação de implantes. Não é para todos os casos, mas quando indicado pode ser o mais próximo de uma verdadeira preservação do bundle bone.

Facto 8: O gap — 2 mm é o teu número mágico

A ciência: O "gap" refere-se ao espaço entre a superfície do implante e a parede bucal do alvéolo. Este gap é criado intencionalmente ao colocar o implante numa posição palatina/lingual.

A regra dos 2 mm: A investigação sugere que um gap horizontal de aproximadamente 2 mm entre o implante e a placa bucal é ideal. Isto permite:

  • Espaço para regeneração óssea ou enxerto
  • Formação e estabilização do coágulo
  • Proteção da placa bucal fina do contacto direto com o implante
Implante dentário ilustrado em corte com osso palatino, espaço de 2mm e material de enxerto. Diagrama em português.
Colocação imediata de implante mostrando o gap bucal crítico de 2 mm com material de enxerto
[Imagem gerada com Periospot Studio]

Porque a posição importa: Se colocares o implante demasiado perto da placa bucal:

  • A pressão direta acelera a reabsorção
  • Não há espaço para material de enxerto
  • Maior risco de exposição das roscas

Se o gap for demasiado grande (>3 mm):

  • Pode exigir enxertos mais extensos
  • Maior tempo de cicatrização
  • Risco de preenchimento ósseo incompleto

Conclusão clínica: Ao planear implantes imediatos, aponta para um gap bucal de 2 mm. Isso significa que a seleção do diâmetro do implante e a posição 3D são críticas. Usa planeamento com CBCT — não estimes.

Facto 9: Posição do implante — onde a biologia encontra a restauração

A ciência: A posição "ideal" do implante equilibra:

  1. Requisitos biológicos — suporte ósseo adequado, tecidos moles saudáveis
  2. Requisitos restauradores — acesso do parafuso, perfil de emergência, estética

Nos implantes imediatos, este equilíbrio é ainda mais crítico porque estás a trabalhar dentro das limitações de um alvéolo existente.

Diagram of an ideal dental implant position in Portuguese. Maxila, gap, and implant details labeled.
Posição ideal do implante no maxilar anterior mostrando a colocação 3D correta
[Imagem gerada com Periospot Studio]

A posição ideal para implantes imediatos na zona anterior:

  • Mésio-distal: centrado no alvéolo, respeitando a proximidade das raízes adjacentes
  • Buco-palatino: palatino ao eixo do alvéolo de extração (criando o gap bucal de 2 mm)
  • Ápico-coronal: 3-4 mm apical à margem gengival planeada
  • Angulação: seguindo o eixo natural do dente ou ligeiramente inclinado para palatino

A consideração do perfil de emergência: A posição do implante determina o ângulo de emergência. Uma posição palatina permite uma emergência mais natural a partir de baixo do tecido mole, imitando a anatomia cervical de um dente natural.

Conclusão clínica: Não persigas a estabilidade primária à custa de uma posição correta. É melhor etapificar o procedimento do que colocar um implante numa posição comprometida.

Facto 10: Implantes estreitos — por vezes, menos é mais

A ciência: O incisivo lateral maxilar médio tem aproximadamente 7,21 mm de largura mésio-distal na CEJ. Ainda assim, muitos clínicos optam por implantes padrão de 4,3 mm ou até 5 mm de diâmetro.

As contas não batem: Um implante de 4,3 mm num espaço de 7,21 mm deixa pouco espaço para desenvolver um perfil de emergência adequado. A restauração parece "demasiado redonda" na margem gengival.

Quando optar por implantes estreitos:

  • Incisivos laterais
  • Incisivos inferiores
  • Dentes congenitamente pequenos
  • Espaços interdentários limitados
  • Biotipos finos

Os implantes estreitos modernos (3,0-3,5 mm) oferecem:

  • Resistência adequada para aplicações anteriores
  • Melhores possibilidades de perfil de emergência
  • Menor remoção óssea durante a osteotomia
  • Uma abordagem global mais conservadora

Conclusão clínica: Ajusta o diâmetro do implante à anatomia dentária, não ao teu inventário. Implantes estreitos em espaços estreitos produzem melhores resultados estéticos.

Facto 11: Preencher o gap — o limiar de 0,4 mm

A ciência: Aqui está um achado biológico fascinante: gaps menores do que 0,4 mm podem cicatrizar espontaneamente sem material de enxerto.

Este fenómeno relaciona-se com o conceito de defeito de tamanho crítico — abaixo de determinada dimensão, o corpo consegue fechar o gap com osso novo sem andaime externo.

Implicações clínicas:

  • Gaps muito pequenos (distância de salto menor que 0,4 mm) podem não necessitar de enxerto
  • Gaps maiores beneficiam de um andaime de biomaterial
  • O gap bucal de 2 mm requer definitivamente material de enxerto

O que usar para enxertar:

  • Xenoinjertos (Bio-Oss, etc.): mais documentados, reabsorção lenta
  • Aloinertos: boa integração, reabsorção variável
  • Osso autógeno: padrão-ouro biológico, disponibilidade limitada
  • Combinações: frequentemente proporcionam resultados ótimos

Conclusão clínica: Não compliques demasiado os gaps pequenos, mas não ignores o gap bucal de 2 mm. Enxerta. Sempre.

Facto 12: A mudança de paradigma — a inibição por contacto muda tudo

A ciência: Este último facto representa a fronteira do nosso conhecimento. O conceito de inibição por contacto na cicatrização óssea tem implicações importantes para a colocação de implantes.

Com inibição por contacto: Quando a superfície do implante contacta diretamente o osso, o padrão de cicatrização segue a superfície do implante. As células ósseas "veem" o implante e organizam-se à sua volta.

Sem inibição por contacto: Quando existe um gap, a cicatrização óssea progride a partir das paredes do alvéolo de forma independente e depois integra-se com a superfície do implante.

Porque isto importa: Compreender este mecanismo ajuda a explicar:

  • Porque a estabilidade primária não é o único fator de sucesso
  • Como a cicatrização do gap funciona realmente
  • Porque certos tratamentos de superfície e desenhos de implantes se comportam de forma diferente

A mudança de paradigma: Passámos de "o implante deve tocar o osso em toda a sua extensão" para "gaps estratégicos, com gestão adequada, geram melhores resultados".

Conclusão clínica: Abraça o gap. Garante um bom manejo com enxerto e tempo e obterás melhores resultados a longo prazo do que forçar o implante contra uma placa bucal fina.

Enquadramento de decisão clínica: juntando tudo

Agora que compreendes os 12 factos, como os aplicas clinicamente? Aqui está o meu enquadramento de decisão:

Fase de avaliação

  1. Análise CBCT — medir a espessura do osso bucal
  2. Avaliação de tecidos moles — biotipo, largura de tecido queratinizado
  3. Fatores do paciente — expectativas, capacidade de cicatrização, adesão

Pontos de decisão

Osso bucal maior que 1 mm com anatomia favorável → candidato a implante imediato

  • Planear um gap bucal de 2 mm
  • Preparar para enxerto bucal
  • Considerar ETC na zona estética

Osso bucal menor que 1 mm com biotipo fino → abordagem faseada recomendada

  • Preservação do rebordo na extração
  • Permitir 3-4 meses de cicatrização
  • Implante diferido com possível GBR

Critérios para candidato a socket shield:

  • Raiz bucal intacta
  • Sem patologia periapical
  • Perfil de emergência restaurável
  • Cirurgião experiente

Perguntas frequentes

O que é o bundle bone em medicina dentária?

O bundle bone é a fina camada de osso alveolar próprio que reveste o alvéolo dentário, caracterizada pelas inserções das fibras de Sharpey do ligamento periodontal. É um tecido dependente do dente que não pode sobreviver sem a presença de uma raiz dentária.

Porque é que o bundle bone se reabsorve após a extração dentária?

O bundle bone recebe aproximadamente 70% do seu aporte sanguíneo do ligamento periodontal. Quando um dente é extraído, esse aporte é interrompido, desencadeando uma reabsorção osteoclástica inevitável do bundle bone.

O que é o gap na colocação imediata de implantes?

O gap refere-se ao espaço horizontal entre a superfície do implante e a parede bucal do alvéolo. Recomenda-se um gap de aproximadamente 2 mm para permitir espaço para o enxerto e proteger a placa bucal fina da reabsorção induzida por pressão.

Os implantes imediatos preservam o osso?

Não. A investigação demonstra claramente que a colocação imediata de implantes não impede a reabsorção do bundle bone. Os implantes são âncoras protéticas, não dispositivos de preservação óssea. No entanto, os implantes imediatos oferecem vantagens no tempo de tratamento e na manutenção de tecidos moles.

Deve enxertar o gap em implantes imediatos?

Sim, para gaps maiores que 0,4 mm. O gap bucal de 2 mm recomendado nos protocolos de implantes imediatos deve ser sempre enxertado com um biomaterial adequado para fornecer andaime à regeneração óssea.

O que é a técnica do socket shield?

O socket shield implica conservar a porção bucal da raiz com o ligamento periodontal aderido durante a extração e a colocação do implante. Isto mantém o aporte sanguíneo ao bundle bone e pode preservar a placa bucal melhor do que os protocolos convencionais de implante imediato.

Quanto osso se perde após a extração dentária?

Os estudos mostram aproximadamente 50% de redução horizontal bucolingual e 2-4 mm de redução vertical nos primeiros 12 meses após a extração, com a maior parte nos primeiros 3 meses.

É possível preservar o bundle bone?

A preservação completa não é possível após a extração de um dente. No entanto, a técnica do socket shield pode manter o bundle bone ao conservar parte da raiz dentária. Os procedimentos de preservação do rebordo podem minimizar, mas não eliminar, as alterações dimensionais.

Pontos-chave

Compreender a biologia do bundle bone transforma a forma como abordas os implantes imediatos:

  1. O bundle bone é dependente do dente — aceita esta realidade biológica
  2. Espera uma redução de 50% da largura bucal — planeia, não te surpreendas
  3. Implantes imediatos não preservam osso — oferecem outras vantagens
  4. O gap de 2 mm é intencional — posiciona os implantes palatinamente
  5. Enxerta sempre o gap bucal — sem exceções em casos estéticos
  6. O ETC melhora os resultados — considera-o padrão na zona anterior
  7. O socket shield é uma opção válida — quando corretamente indicado
  8. Ajusta o diâmetro do implante à anatomia — implantes estreitos para dentes estreitos
  9. Preservação do rebordo quando não colocas de imediato — posição por defeito
  10. Compreender a biologia melhora as decisões — estes 12 factos orientam cada caso

Conclusão

Vinte anos depois de Chen, Araújo e Lindhe terem publicado a sua investigação fundacional, compreendemos a biologia do bundle bone melhor do que nunca. A evidência é clara: o bundle bone é dependente do dente, a extração desencadeia uma reabsorção inevitável e os implantes imediatos são ferramentas de gestão, não milagres de preservação.

Mas aqui está a boa notícia: com este conhecimento, podes alcançar resultados estéticos previsíveis.

Os 12 factos desta guia não são limitações — são guias. Dizem-te o que esperar, quando intervir e como gerir a biologia em vez de lutar contra ela.

Domina o bundle bone, respeita o gap e adota protocolos baseados em evidência. Os teus pacientes — e os seus sorrisos — vão agradecer-te.


📚 Leitura recomendada

Se queres aprofundar os conhecimentos sobre a biologia do bundle bone, a colocação imediata de implantes e os fundamentos da periodontologia clínica, há um livro essencial que deves ter:

Clinical Periodontology and Implant Dentistry (7ª Edição) de Jan Lindhe, Niklaus P. Lang e Tord Berglundh

Este conjunto de dois volumes é a bíblia da periodontologia. A 7ª edição inclui capítulos detalhados sobre a biologia do alvéolo, o bundle bone e a colocação imediata de implantes.

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Referências

  1. Araújo, M. G., and Lindhe, J. (2005). Dimensional ridge alterations following tooth extraction. An experimental study in the dog. Journal of Clinical Periodontology, 32(2), 212-218.

  2. Chen, S. T., Wilson Jr, T. G., and Hämmerle, C. H. (2004). Immediate or early placement of implants following tooth extraction: review of biologic basis, clinical procedures, and outcomes. International Journal of Oral and Maxillofacial Implants, 19(Suppl), 12-25.

  3. Hürzeler, M. B., et al. (2010). The socket-shield technique: a proof-of-principle report. Journal of Clinical Periodontology, 37(9), 855-862.

  4. Araújo, M. G., Sukekava, F., Wennström, J. L., and Lindhe, J. (2006). Tissue modeling following implant placement in fresh extraction sockets. Clinical Oral Implants Research, 17(6), 615-624.

  5. Tarnow, D. P., Chu, S. J., Salama, M. A., et al. (2014). Flapless postextraction socket implant placement in the esthetic zone. International Journal of Periodontics and Restorative Dentistry, 34(6), 781-787.

  6. Schwarz, F.,3 By Giongo, M., and By Bot, J. (2022). Impact of the socket-shield technique on hard and soft tissue healing. Clinical Oral Implants Research, 33(5), 467-477.

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Founder & Editor

Implant & Digital Dentistry specialist. Periospot founder and managing editor. Executive Director at FOR.

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